"A lei sempre emana do Estado e permanece ligada
à classe dominante, pois o Estado, como sistema de órgãos que regem a sociedade
politicamente organizada, fica sob o controle daqueles que comandam o processo
econômico, na qualidade de proprietários dos meios de produção. Embora as leis
apresentem contradições, que não nos permitem rejeitá-las sem exame, como pura
expressão dos interesses daquela classe, também não se pode afirmar, ingênua ou
manhosamente, que toda legislação seja Direito autêntico, legítimo e
indiscutível. Nesta última alternativa, nós nos deixaríamos embrulhar nos
“pacotes” legislativos, ditados pela simples conveniência do poder em
exercício. A legislação abrange, sempre, em maior ou menor grau, Direito
propriamente dito, reto e correto, e negação do Direito, entortado pelos
interesses classísticos e caprichos continuístas do poder estabelecido. A
identificação entre Direito e lei pertence, aliás, ao repertório ideológico do
Estado, pois na sua posição privilegiada ele desejaria convencer-nos de que
cessaram as contradições, que o poder atende ao povo em geral, não havendo
Direito a procurar além ou acima das leis. Entretanto, a legislação deve ser
examinada criticamente, mesmo num país socialista, pois seria utópico/ilusão
imaginar que, socializada a propriedade, estivesse feita a transformação social
completa."
"Se afasto do meu jardim os obstáculos que impedem o sol e a água de fertilizar a terra, logo surgirão plantas de cuja existência eu sequer suspeitava. Da mesma forma, o desaparecimento do sistema punitivo estatal abrirá, num convívio mais sadio e mais dinâmico, os caminhos de uma nova justiça". Louk Hulsman
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
Vidas arriscadas: o cotidiano dos jovens trabalhadores do tráfico
"Esta pesquisa constitui
um estudo dos jovens inscritos no tráfico de drogas na cidade de São Paulo.
Jovens que vivem uma realidade na qual a violência permeia quase todas as
relações e a morte é uma das conseqüências mais constantes. São a parte
perceptível do tráfico, a que exibe toda a violência incrustada em sua economia
ilegal, aqueles que são um apêndice, a um tempo indispensável e descartável,
nas conexões internacionais da “indústria” do tráfico de drogas, uma das de
maior rendimento da atualidade. Pretende-se com este estudo contribuir para
descaracterizar como doentias as infrações realizadas por eles, pois a razão
delas se encontra em contexto maior. Ao desvelar as máscaras sob as quais a
sociedade encobre suas engrenagens, procura-se mostrar os elos do qual fazem
parte o comércio de drogas, o movimento do capital e o papel desses jovens."
sábado, 24 de março de 2012
Manicômios, prisões e conventos
"Neste texto de 1961, Goffman
analisa o mundo das instituições totais, sejam elas de caráter clínico,
prisional ou conventual. O autor centra-se, essencialmente, no caráter de
fechamento destas instituições, criando-se, dessa forma, uma barreira entre
interior e exterior. No interior das instituições habitam não apenas as equipes
dirigentes, mas também os internados, os prisioneiros, os que optam por uma
vida solitária. Na passagem de uma vida no exterior para uma vida de
confinamento espacial e social, o indivíduo passa por processos de modificação.
Em qualquer dos casos, seja a institucionalização forçada ou por sua
iniciativa, inicia-se um processo de mortificação do eu pelas concessões de
adaptação às novas regras institucionais. O indivíduo é jogado entre a sua
personalidade real e a personalidade que para si se produz, não só pela equipe
dirigente como por toda a sociedade. Goffman analisa ainda a questão do tempo
vivido no interior da instituição, nomeadamente a organização do tempo dos
internados ou prisioneiros, segundo atividades programadas milimetricamente,
cuja função, para além de disciplinar os sujeitos, os inibe em termos de
desenvolvimento pessoal."
Estigma
“Este livro reexamina os
conceitos de estigma e identidade social, o alinhamento grupal e a identidade
pessoal, o controle da informação, os 'desvios' e o comportamento 'desviante',
detendo-se em todos os aspectos da situação da pessoa estigmatizada - dos
boêmios aos delinqüentes, das prostitutas aos músicos de jazz, dos ciganos aos
malandros de praia, do mendigo a quantos são considerados 'engajados numa espécie
de negação coletiva da ordem social', os que integram a 'comunidade dos
estigmatizados', todos têm, neste livro, sua imagem humanamente explicada à luz
da antropologia social. Segundo Goffman o termo “estigma”, de origem grega,
inicialmente se referia a um sinal corporal utilizado para evidenciar algo
sobre o status moral de seu portador: se tratava de escravo, criminoso ou
traidor, por exemplo. Atualmente, refere-se às categorizações criadas a partir
de pré-concepções e expectativas que formam uma espécie de 'identidade social
virtual' para o indivíduo em detrimento de sua 'identidade real', gerando
descrédito e depreciação, 'reduzindo-o a uma pessoa estragada e diminuída.' "
Introdução Crítica ao Direito Penal Brasileiro
"O que significa "direito penal"?
Qual o mecanismo lógico-jurídico da construção de uma norma penal? O que são a
criminologia e a política criminal? Como a realidade do sistema penal,
contradiz este próprio direito? Que missão cumpre o direito penal numa
sociedade dividida em classes? Quais os princípios básicos do direito penal?
Como tais princípios foram produzidos historicamente, e que funções desempenham
hoje? Quais os horizontes da ciência do direito penal para libertar-se das
peias do tecnicismo jurídico? Essas e outras indagações integram uma unidade
curricular decisiva no ensino jurídico: a iniciação ao direito penal."
sexta-feira, 23 de março de 2012
Anarquismos & Educação
“Este livro destina-se
a todos aqueles que pretendem compreender a relação entre o anseio da liberdade
e a obediência, muitas vezes reforçada por uma educação e uma escola que não
ensinam a pensar e a formar seres críticos. Atentos à riqueza dessa relação, Edson
Passetti e Acácio Augusto produziram esta obra que contextualiza os anarquismos
e suas manifestações mais lembradas de séculos passados e analisa na atualidade
traços dessa postura, registros da anarquia. “Na atual sociedade de controle, o
inventor de liberdades atualiza a educação anarquista como espaço de
experimentação que sacode o imobilismo, subvertendo a docilidade, a disciplina
e a obediência escolares.” Assim pensam os autores, que oferecem ao leitor um
interessante e proveitoso estudo que aproxima a educação de elementos inerentes
à construção da história, à experimentação da vida livre.”
quinta-feira, 22 de março de 2012
O significado ideológico do sistema punitivo brasileiro
Nas últimas décadas erigiu-se o Direito Penal à categoria de
solucionador de todos os males sociais. A pena de detenção é aplicada para
delitos de grande e pequeno potencial ofensivo. No entanto, a falência da
aplicação genérica da pena privativa da liberdade é notória e o sistema punitivo
brasileiro anda na contramão da história. Esse sistema é parte integrante de um
sistema geral de justiça que guarda profundas vinculações com estruturas da
sociedade internacional. No Brasil, esse processo assume feição ainda mais
cruel em virtude de nosso passado de sociedade colonizada e escravista. O
projeto de colonização de nossa terra forjou uma sociedade marcadamente
desigual, construindo
uma pobreza marginal estigmatizada e
criminalizada. É através da ideologia que esta realidade é encoberta, impedindo
que dominados se revoltem e fazendo com que aceitem como natural e irreversível
o modo como as relações sociais se processam. A Criminologia Crítica mediante uma
séria análise dos custos sociais da pena busca uma práxis jurídico-política de
maior representação legal e processual que assegure os reais interesses
coletivos.quarta-feira, 21 de março de 2012
Uma razoável quantidade de crime
"O
mais recente volume da coleção Pensamento Criminológico é a obra da maturidade de Nils Christie, criminólogo
cuja produção intelectual, como se sabe, é marcada pela visão crítica e global
dos sistemas penais. Ante o espantoso aumento do número de presos
observável na absoluta maioria dos países ocidentais, o autor procura mostrar,
através de exemplos eloquentes, que há modelos alternativos de solução de
conflitos, cujos índices de eficiência superariam em muito o fracassado modelo
penal. Ao mesmo tempo em que reafirma os equívocos do paradigma etiológico
– o crime não é, ele se torna –, Nils deixa clara sua
opção pelo minimalismo, isto é, aceita um mínimo de pena somente naquelas hipóteses
absolutamente excepcionais em que sua ausência produzirá mais dano do que sua
aplicação. O presente livro demonstra, de forma clara, que o sistema penal de
determinado lugar é o retrato fiel do tipo de sociedade em que ele atua."
As prisões da miséria
"O livro apresenta o projeto de classe realizado no neoliberalismo: o enfraquecimento
do Estado Social e endurecimento do Estado Penal, com a adoção da política de
“tolerância zero”, caracterizada pela firmeza na punição de pequenos atos.
Curiosamente não se aplica tolerância zero às violações do direito do trabalho
pelos patrões ou dos direitos sociais. Neste contexto, a marginalização social,
consequência das políticas neoliberais, recebe um tratamento punitivo,
e culminando no atual encarceramento em massa que superlotou o sistema prisional, chamado por Wacquant de “máquina varredora de
precariedade”. O autor denuncia a política de criminalização da miséria como
complemento indispensável da imposição do trabalho assalariado precário e
sub-remunerado e como responsável pelo atual “suculento mercado da punição”,
hoje em dia indispensável para a economia mundial. Através de pesquisas, o
autor também mostra como as taxas de encarceramento não guardam proporções com as
taxas de criminalidade, mas, sim, com política criminal adotada pelo Estado e a
desigualdade econômica."
sexta-feira, 16 de março de 2012
Difíceis ganhos fáceis: drogas e juventude pobre no Rio de Janeiro
"O
livro analisa o funcionamento do sistema de justiça criminal, relatando vinte
anos de criminalização (1968 - 1988) sofrida por adolescentes moradores de
favelas e bairros pobres do Rio de Janeiro, contextualizando-a nos cem anos de
história republicana do Brasil. A tese apresentada é de que, ao contrário de sua função declarada, isto é,
diferentemente de sua ideologia oficial, o sistema de justiça criminal da
sociedade capitalista serve para disciplinar os despossuídos, constrangê-los a
aceitar a "moral do trabalho" que lhes é imposta pela posição
subalterna na divisão de trabalho e na distribuição da riqueza socialmente
produzida. Por isso, o sistema criminal se direciona constantemente às camadas
mais frágeis e vulneráveis da população: para mantê-la o mais dócil possível nos
guetos da marginalidade social ou para contribuir para a sua destruição física."
(Prefácio de Alessandro Baratta).
(Prefácio de Alessandro Baratta).
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Vigiar e Punir: história da violência nas prisões
O objetivo de
FOUCAULT, em Vigiar e Punir, é descrever a história do poder de punir
como história da prisão, cuja instituição muda o estilo penal do suplício
do corpo da época medieval (roda, fogueira, etc.) para a utilização do
tempo na carceragem do capitalismo moderno. O suplício era um ritual
público de dominação pelo terror: o objeto da pena criminal é o corpo do
condenado, mas o objetivo da pena criminal é a massa do povo, convocado
para testemunhar a vitória do soberano sobre o
criminoso,
o rebelde que ousou desafiar o poder. No estudo da prisão, a originalidade de
FOUCAULT consiste em pesquisar os efeitos da prisão como tática
política de dominação orientada pelo saber científico que
define a moderna tecnologia do poder de punir. Desse ponto de vista, o
sistema punitivo seria um garantidor do sistema de produção da vida
material, cujas práticas punitivas visam criar a docilidade e utilidade dos
corpos. Na linguagem de Vigiar e Punir, as relações de saber e de
controle do sistema punitivo constituem a microfísica do poder, a estratégia
das classes dominantes para produzir a alma como prisão do corpo do
condenado – a forma acabada da ideologia de submissão de todos os vigiados,
corrigidos e utilizados na produção material das sociedades modernas. Nesse
contexto, o binômio poder/saber aparece em relação de constituição
recíproca: o poder produz o saber que legitima e reproduz o poder.
(Trechos extraídos do texto: 30 anos de vigiar e punir, de Juarez Cirino dos
Santos).
sábado, 19 de novembro de 2011
Punição e estrutura social
"As relações entre crime e meio social, métodos de punição e práticas penais são temas abordados no livro. O objeto da investigação é a pena em suas manifestações específicas que variam de acordo com o modo de produção vigente. O elemento-chave do livro é o nascimento das prisões, forma especificamente burguesa de punição, na passagem ao capitalismo. Rusche e Kirchheimer baseiam suas análises no princípio de que as condições de vida no cárcere devem ser inferiores às das categorias mais baixas dos trabalhadores livres, de modo a constranger ao trabalho e salvaguardar os efeitos dissuasivos da pena, relacionado ao mercado de trabalho."
sábado, 1 de outubro de 2011
Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: Introdução à Sociologia do Direito Penal
Neste clássico do direito contemporâneo, o autor Alessandro Baratta oferece ao leitor uma breve amostra de sua riqueza científica, filosófica e política, apresentando uma teoria criminológica de maneira sistemática e original. O professor confronta as aquisições das teorias sociológicas sobre crime e controle social com os princípios da ideologia da defesa social colocando em pauta uma política criminal alternativa. Para Baratta, o crime não possui causalidade individual ou patológica, uma vez que se apresenta como um fenômeno de gênese social.
Curso Livre de Abolicionismo Penal
Um grupo de professores – Maria L. Karam, Edson Passeti, Salete de Oliveira, Thiago Rodrigues, Vera Malaguti e Nilo Batista – uniu-se durante uma semana objetivando apresentar e problematizar o abolicionismo penal. Do encontro surgiu a criação do curso (na PUC-SP) que gerou discussões calorosas, dúvidas e indagações sobre uma área inovadora do Direito.
O livro Curso Livre de Abolicionismo Penal é uma extensão do curso. Cada capítulo é composto por uma aula e no livro foi adicionado uma aula extra, com Louk Hulsman. O livro visa atingir não somente seu público original, como também outros cursos, grupos, formadores de opinião, oferecendo a outras pessoas novos envolvimentos com a abolição do castigo.
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